Com as abelhas o homem poderá tirar exemplos para construir um mundo melhor. Com seu modelo de socialização, onde cada um possui uma função bem definida, executada sempre em benefício do bem-estar da coletividade, elas nos dão um belo exemplo de convivência.

As abelhas também nos fornecem um dos mais puros e ricos alimentos naturais, o mel, e contribuem decididamente no processo da polinização. Hoje, com o desenvolvimento da apicultura, as abelhas deixaram de ser vistas como insetos perigosos e agressivos.

O homem através de estudos passou a compreender o seu mundo e aprendeu a conviver com elas respeitando as suas características e particularidades. Esses estudos demonstram que criar abelhas de uma maneira racional requer muitos cuidados e, a nossa intenção é fornecer informações suficientes para que você possa iniciar uma criação ou apenas conhecer esse mundo fantástico. Tudo isso numa linguagem direta e acessível, com imagens e ilustrações. Veja, nos links logo abaixo, o que você poderá aprender.

A Arte da Apicultura
É o ramo da agricultura que estuda as abelhas produtoras de mel e as técnicas para explorá-las convenientemente em benefício do homem. Inclui técnicas de criação de abelhas e a extração e comercialização de mel, cera, geléia real e própolis.

As abelhas melíferas são criadas em áreas onde haja abundância de plantas produtoras de néctar, como a laranjeira. Como norma, os maiores produtores de mel estabelecem suas colméias em zonas de agricultura intensiva, já que não é prático cultivar plantas para a produção de mel.

A exploração dessa atividade sempre foi feita de maneira muito rudimentar, e os enxames eram quase totalmente destruídos no momento da colheita do mel, tendo que se refazer a cada ano. Mas, com o conhecimento adquirido através dos tempos, hoje o convívio com a abelha é diferente.

O apicultor é a pessoa que se encarrega de cultivar os produtos proporcionados pelas abelhas. As colméias artificiais que o homem fornece às abelhas são muito variadas e têm evoluído com o tempo. As mais rústicas eram simples troncos ocos ou cestos de vime; hoje em dia, utilizam-se diferentes tipos de caixas, que são muito mais práticas e fáceis de manejar.

O apicultor sabe qual é o melhor momento para colher o mel e que quantidade pode extrair sem prejudicar as abelhas. Tira unicamente os favos que contém mel maduro e os coloca em ma máquina centrífuga, que extrai o mel sem quebrar os favos, que podem ser utilizados novamente. Antes de engarrafa-lo, filtra-o para que fique livre de restos de cera.

 

O Vôo Nupcial
Somente os zangões mais fortes e rápidos conseguem alcançar a rainha após detectar o ferormônio. Localizada a “princesa”, dá-se início à cópula. No entanto, os vários zangões que conseguirem a façanha terão morte certa e rápida, pois seus órgãos genitais ficarão presos no corpo da rainha, que continuará a copular com quantos zangões forem necessários para encher a sua espermoteca; em média a rainha é fecundada por 6 a 8 zangões. Este sêmen, coletado durante o vôo nupcial, será o mesmo durante toda sua vida. Nesta fase a rainha fica na condição de hermafrodita.

O vôo nupcial que a rainha faz é o único em sua vida. Ela jamais sairá novamente da colméia, a não ser para acompanhar parte de um enxame que abandona uma colméia, para formar uma nova. Ao regressar de seu vôo nupcial, a rainha se apresenta bem maior e mais pesada. Passará a ser tratada com atenção especial por parte das operárias, que a alimentam com a geléia real e cuidam de sua higiene.

Três dias depois de ser fecundada a abelha rainha começa a desovar, botando um ovo em cada alvéolo. Uma rainha pode botar cerca de três mil ovos por dia. Durante o seu ciclo, as abelhas passam por quatro etapas muito diferenciadas:
· Ovo
· Larva
· Ninfa
· Adulto

Assim como as borboletas sofrem uma metamorfose, as larvas ficam muito diferentes dos adultos e seu corpo sofre mudanças muito importantes durante seu desenvolvimento.

É interessante saber como a rainha determina quais os ovos que serão fertilizados, ou seja, darão origem a operárias, e quais os que originarão zangões. O processo se dá seguinte forma: as abelhas constroem alvéolos de dois tamanhos: um menor, destinado à criação de larvas de operárias, e outro maior, onde nascerão os zangões. Antes de ovular, a abelha rainha mede as dimensões do alvéolo com suas patas dianteiras. Constatando ser um alvéolo de operária, a rainha, ao introduzir seu abdômen para realizar a postura, comprime sua esperance, liberando, assim, espermatozóides que irão fecundar o ovo que será depositado no alvéolo. Caso a rainha verifique que o alvéolo é destinado a zangões, ela simplesmente introduz o abdômen no alvéolo, sem comprimir sua espermática, depositando assim um ovo não fecundado.

É importante que o apicultor saiba destas diferenças porque, caso o lote de esperma presente na espermática da rainha se esgote, todas as abelhas nascerão de ovos não fecundados, dando origem, portanto, a zangões, unicamente. Neste caso, o apicultor deverá substituir imediatamente sua rainha, para evitar que a colônia desapareça, pela falta de operárias, que garantem alimentação, higiene e demais serviços da colméia.

É fascinante observar as abelhas construírem os favos. Encostam-se umas às outras pelas patas e começam a secretar e mastigar pequenas escamas de cera; pouco depois as colocam e amoldam até completar o favo (de cima para baixo).

Como saber qual é a Rainha

A tarefa de identificar a rainha no interior da colméia não é das mais fáceis para o apicultor iniciante. Por isso mesmo, muitos apicultores costumam marcar suas rainhas com tinta. Uma pequena gotinha de esmalte de unha é suficiente, embora existam tintas especiais para esta operação.

A rainha é quase duas vezes maior que as operárias e vive cerca de 3 a 6 anos. No entanto, a partir do terceiro e quarto ano a sua fecundidade decai. A sua única função, do ponto de vista biológico, é a postura de ovos, já que ela é a única abelha feminina com capacidade de reprodução. Mas a abelha rainha desempenha um importante papel do ponto de vista social: ela é a responsável pela manutenção do chamado ‘Espírito da colméia’, ou seja, pela harmonia e ordenação dos trabalhos da colônia. Ela consegue manter este estado de harmonia produzindo uma substância especial denominada ferormônio, a partir de suas glândulas mandibulares, que é distribuída a todas as abelhas da colméia. Esta substância, além de informar a colônia da presença e atividade da rainha na colméia, impede o desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos das operárias impossibilitando-as, assim, de se reproduzirem. É por essa razão que uma colônia tem sempre uma única rainha. Caso apareça outra rainha na colméia, ambas lutarão até que uma delas morra.

Na verdade, a rainha nada mais é do que uma operária que atingiu a maturidade sexual. Ela nasce de um ovo fecundado, e é criada numa célula especial, diferente dos alvéolos hexagonais que formam os favos. A rainha é criada numa cápsula denominada realeira, na qual é alimentada pelas operárias com a geléia real, produto riquíssimo em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. É precisamente esta “superalimentação” que a tornará uma rainha, diferenciando-a das operárias. A geléia é o único e exclusivo alimento da abelha rainha, durante toda sua vida.

A abelha rainha leva de 15 a 16 dias para nascer e, a partir de então, é acompanhada por um verdadeiro cortejo de operárias, que são suas “damas de honra” encarregadas de garantir sua alimentação e seu bem-estar. Após o quinto dia de vida, a rainha começa a fazer vôos de reconhecimento em torno da colméia. E a partir do nono dia, ela já esta preparada para realizar o seu vôo nupcial, quando, então, será fecundada pelos zangões. A rainha escolhe dias quentes e ensolarados, sem ventos fortes, para realizar o vôo nupcial.

Para localizar a rainha não marcada no interior da colméia, algumas dicas:
Concentre sua atenção nos quadros com postura recente, observando-os dos dois lados. É pouco provável que a rainha esteja em quadros com mel ou com crias maduras (favos com crias operculadas).

Não faça mais do que duas tentativas para localizar a abelha rainha. Não a encontrando, feche a colméia e só repita a operação três horas depois, pelo menos.

Os Zangões
A única função dos zangões é a fecundação das rainhas virgens. O zangão é o único macho da colméia, não possui ferrão e nasce de ovos não fecundados depositados pela rainha. Por não possuir órgãos de trabalho, o zangão não faz outra coisa a não ser voar à procura de uma rainha virgem para fecundá-la.

Os zangões nascem 24 dias após a postura do ovo e atingem a maturidade sexual aos 12 dias de vida. Vivem de 80 a 90 dias e dependem única e exclusivamente das abelhas operárias para sobreviver: são alimentados por elas, e por elas são expulsos da colméia nos períodos de falta de alimento – normalmente no outono e no inverno – morrendo de fome e frio.

Quase duas vezes maiores do que as operárias, a presença de zangões numa colméia é sinal de que a colônia está em franco desenvolvimento e de que há alimento em abundância.

Apesar de não possuir órgãos de defesa ou de trabalho, o zangão é dotado de aparelhos sensitivos excepcionais: pode identificar, pelo olfato ou pela visão, rainhas virgens a dez quilômetros de distâncias.

Os zangões costumam agrupar-se em determinados pontos próximos às colméias onde ficam à espera de rainhas virgens. Quando descobrem a princesa partem todos em perseguição à rainha, para copular em pleno vôo, o que acontece sempre acima dos 11 metros de altura. No vôo nupcial, uma média de oito a dez zangões conseguem realizar a façanha – exatamente os mais fortes e vigorosos. Mas eles pagam um preço alto pela proeza: após a cópula, seu órgão genital é rompido, ficando preso à câmara do ferrão da rainha. Logo após, o zangão morre.

As Operárias
A abelha operária é responsável por todo o trabalho realizado no interior da colméia. As abelhas operárias encarregam-se da higiene da colméia, garantem o alimento e a água de que a colônia necessita, coletando pólen e néctar. Produzem a cera, com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zangões e as larvas por nascer e cuidam da defesa da família.

Além destas atividades, as operárias ainda mantêm uma temperatura estável, entre 33º e 36ºc, no interior da colméia, produzem e estocam o mel que assegura a alimentação da colônia, aquecem as larvas (crias) com o próprio corpo em dias frios e elaboram a propelis, substância processada a partir de resinas vegetais, utilizadas para desinfetar favos e paredes, vedar frestas e fixar peças.

Resumidamente, as operárias respondem por todo trabalho empreendido na colméia. Elas nascem 21 dias após a postura do ovo e podem viver até seis meses, em situações excepcionais de pouca atividade. O seu ciclo de vida normal não ultrapassa os 60 dias.

Mas apesar de curta, a vida das operárias é das mais intensas. E esta atividade já começa momentos após seu nascimento, quando ela executa o trabalho de faxina, limpando alvéolos, assoalho e paredes da colméia. Daí a denominação de faxineira. A partir do quarto dia de vida, a operária começa a trabalhar na cozinha da colméia: com desenvolvimento de suas glândulas hipofaríngeas, ela passa a alimentar as larvas da colônia e sua rainha.

Chamadas neste período de sua vida, que vai do 4º ao 14º dia, de nutrizes, essas abelhas ingerem pólen, mel e água, misturando estes ingredientes em seu estômago. Em seguida, esta mistura, que passou por uma série de transformações químicas, é regurgitada nos alvéolos em que existam larvas. Esta mistura servirá de alimento às abelhas por nascer. E com o desenvolvimento das glândulas hipofaríngeas, produtoras de geléia real, as operárias passam a alimentar também a rainha, que se alimenta exclusivamente desta substância. Também são chamadas de amas.

De nutrizes, as operárias são promovidas a engenheiras, a partir do desenvolvimento de suas glândulas cerígenas, o que acontece por volta do seu nono dia de vida. Com a cera produzida por estas glândulas cerígenas, as abelhas engenheiras constroem os favos e paredes da colméia e operculam, isto é, fecham as células que contêm mel maduro ou larvas. Além deste trabalho, estas abelhas passam a produzir mel, transformando o néctar das flores que é trazido por suas companheiras. Até esta fase, as operárias não voam.

A partir do 21º dia de vida, as operárias passam por nova transformação: elas abandonam os trabalhos internos na colméia e se dedicam à coleta de água, néctar, pólen e própolis, e a defesa da colônia. Nesta fase, que é a última de sua existência, as operárias são conhecidas como campeiras.

As abelhas são dotadas de processo de orientação excepcional, que é baseado, principalmente, tendo o sol como referência.

Para retornar à colméia, por exemplo, as campeiras aprendem a situar sua habilitação assim que fazem os primeiros vôos de treinamento e reconhecimento.

Nestes primeiros vôos, as campeiras aprendem a situar a disposição da colméia em relação ao sol, registrando uma posição de que jamais se esquecem. Trata-se de uma espécie de memória geográfica.

É interessante saber as abelhas possuem a rara propriedade de enxergar a luz do sol (que é seu referencial mesmo nos dias nublados e encobertos, graças à sua sensibilidade à radiação ultravioleta emitida pelo sol. As abelhas utilizam o mesmo sistema de orientação, sempre tendo o sol como referência, para guiar suas companheiras em relação às fontes de alimento recém-descobertas.

Neste caso, quando querem informar sobre a localização e fontes de alimentos, as abelhas campeiras transmitem a informação por meio de um sistema de dança: quando a fonte de alimento está situada a menos de cem metros da colméia, a campeira executa uma dança em círculo, e, quando a fonte de alimento está localizada a mais de cem metros, a campeira dança em requebrado ou em oito.
Nas duas situações, a campeira indica a direção da fonte de alimento pelo ângulo da dança, em relação à posição do sol.

IDADE – FUNÇÕES

1 a 3 dias: Faxineiras: fazem a limpeza e reforma, polindo os alvéolos.
3 a 7 dias: Nutrizes: alimentam com mel e pólen as larvas com mais de 3 dias.
7 a 14 dias: Alimentam as larvas com idade inferior a 3 dias com geléia real. Também neste período, algumas cuidam da rainha. São Chamadas de amas.
12 a 18 dias: Fazem limpeza do lixo da colméia.
14 a 20 dias: Engenheiras: segregam a cera e constroem os favos.
18 a 20 dias: Guardas: defendem a colméia contra inimigos e contra o apicultor desprevenido.
21 dias em diante: Operárias ou campeiras trazem néctar, pólen, água e própolis, até a morte.

A colméia
No caso da criação de abelhas em caixas rústicas, a produção de mel é muito pequena e o produto é de péssima qualidade, pois ele é obtido espremendo-se os favos que são recortados e removidos das colméias.

Na apicultura racional este problema foi solucionado com invenção dos quadros móveis. Trata-se de uma engenhosa invenção de apicultores do final do século passado. A apicultura moderna, racional, que permite a produção de grandes quantidades de mel, pólen e outros produtos de grande, começou com desenvolvimento deste sistema, que consiste em induzir as abelhas a construírem seus favos em quadros dispostos verticalmente na colméia construída para abrigar a família. Este sistema oferece uma série de vantagens de ordem prática.

O sistema de quadros móveis permite que o apicultor inspecione o interior da colméia e intervenha sempre que for preciso: eliminando favos velhos, controlando focos de pragas (como as traças), trocando a posição dos quadros, prevenindo a enxameação.

Este sistema permite também a utilização de lâminas de cera alveolada (que produzem enormemente o trabalho das abelhas), possibilita o emprego de alimentadores artificiais (que garantem alimento à família durante o outono e o inverno), permite o reaproveitamento dos favos, e, mais importante, a contínua colheita de mel.

Além destas vantagens, as colméias dotadas de quadros móveis podem ser fortalecidas com a introdução de um quadro de mel ou de crias de outra colméia, como veremos mais tarde.

TIPOS DE COLMÉIAS
Sabe-se que existem hoje mais de 300 diferentes tipos de colméia; que variam em função de adaptação climática, manejo, etc. Mas todas elas apresentam a mesma constituição básica: um fundo ou assoalho; um ninho, que é compartimento reservado ao desenvolvimento da família; a melgueira, compartimento onde é armazenado e mel; os quadros, nos quais são moldados os favos de mel ou de cria; e uma tampa, que reveste toda a colméia.

Todas estas peças – assoalho, ninho, melgueiras, quadros e tampa – são móveis, podem ser retiradas a qualquer momento o que facilita o trabalho de intervenção do apicultor. Outra vantagem: por ser móvel, este sistema permite que a colméia receba mais melgueiras na época de floradas abundantes, aumentando assim a produção de mel. Por outro lado, evita que seja reduzida nos períodos de escassez. Dada essa facilidade de modalidade, este tipo de colméia – o único utilizado pelos verdadeiros apicultores – é chamado de mobilista.

Diferentes materiais podem ser empregados na construção das colméias; madeiras, fibra de vidro, amianto, concreto, isopor etc. No entanto, dá-se preferência, por razões de ordem prática e econômica, a madeira.

O ESPAÇO-ABELHA
Espaço-abelha é o menor espaço livre que pode existir no interior de uma colméia, para permitir a livre movimentação das abelhas.

Este espaço-abelha é uma descoberta muito importante. Ele é a própria referência da abelha no interior da colméia. As abelhas vedam, com própolis, todas as frestas e vão inferiores a 4,8mm e constroem favos nos espaços superiores a 9,5mm.

Ao descobrir esta característica das abelhas, desenvolveu-se um tipo de colméia, compostos por dez quadros, que mantém, entre si e entre as paredes, a segura distância de 9mm, em média. Isto é conseguido com o uso de quadros, chamados Hoffmann, dotados de espaçadores automáticos, ou seja, que já mantêm o chamado espaço-abelha entre si.

Por se tratar de um objetivo que reclama precisão e exatidão, em termos de dimensões e medidas, não é aconselhável ao apicultor iniciante produzir suas próprias colméias. Mais fácil e prático é adquiri-las já

TELA EXCLUIDORA
Outro importante avanço da apicultura racional. A tela excluidora – na verdade uma chapa perfurada – não permite que a rainha se desloque do ninho para a melgueira, onde poderia depositar seus ovos e comprometer o mel.

A tela excluidora, instalada entre o ninho e a melgueira, permite apenas e tão somente a passagem das operárias do ninho para a melgueira, onde depositarão o mel que, mas tarde, será colhido pelo apicultor.

Na foto abaixo pode-se observar entre o ninho (caixa inferior) e a melgueira (caixa superior), a tela excluidora.

O ALVADO
O alvado é o que se pode chamar de porta de colméia. É um acessório regulável e de grande importância para a defesa da família. Trata-se de um sarrafo que é instalado na entrada da colméia, de forma a permitir a entrada e saída das abelhas. Nos períodos de frio, esta é reduzida, para conservar maior calor no interior da colméia. Nas épocas de floradas ou de calor, esta abertura é aumentada.

CERA ALVEOLADA
Outro importante aperfeiçoamento da apicultura moderna foi o desenvolvimento da cera alveolada. Com este material o produtor poupa trabalho de sua abelhas e ganha tempo na produção de mel. A cera alveolada é uma lâmina de cera abelha prensada, que apresenta, de ambos os lados, o relevo de um hexágono do mesmo tamanho do alvéolo, que servirá de guia para a construção dos alvéolos dos favos.

A cera é fixada por meio de um arame que corre por dentro dos quadros. Normalmente, os quadros já são vendidos com o arame, e sua instalação é fácil de ser feita. Para soldar a cera ao arame, use a extensão de uma tomada com fio dos dois pólos elétricos ligados a uma resistência – dessas que servem para aquecimento de ambientes – com duas saídas: descanse a lâmina de cera sobre o arame. Em seguida, com o auxilio de dois fios condutores, provoque um pequeno rápido curto nas extremidades do arame.

Pronto! A cera se soldará automaticamente pela ação do calor provocado pelo curto-circuito. Atenção porque uma descarga muito prolongada poderá derreter a cera, impossibilitando sua fixação. Mas o método é pratico e largamente empregado pelos apicultores.

O Apiário
O apiário é um conjunto racional de colméias, devidamente instalado em local preferivelmente seco, batido pelo sol, de fácil acesso, suficientemente distante de pessoas e animais, provocando o confinamento das abelhas. Ele sofrerá a interferência de fatores do meio ambiente no qual está instalado, tais como: temperatura, umidade, chuvas, florações, ventos, pássaros predadores, insetos inimigos e concorrentes.

O progresso do apiário dependerá, em grande parte, do meio ambiente no qual está instalado, onde vivem e trabalham as abelhas. Por isso, caberá ao apicultor, o correto manejo das abelhas, para obter resultados positivos no desenvolvimento do apiário.

Este tipo de suporte (sílio) para colméias é do tipo individual e possui um protetor contra o ataque de formigas que é o pior inimigo das abelhas, pois contra elas as abelhas não têm defesa.

Escolha do Local
A localização do apiário é um dos fatores mais importantes para o sucesso da apicultura. Vale a pena gastar um pouco de tempo na identificação do melhor local da propriedade para a instalação do apiário.

Antes de instalar suas colméias, o apicultor deve levar em conta a disponibilidade de água e alimentos (floradas) para suas abelhas, procurar protegê-las de ventos fortes, correntes de ar, insolação intensa e umidade excessiva. Mas a maior preocupação do apicultor deve ser com relação á segurança de pessoas e animais. Este ponto é muito importante.

Naturalmente, o acesso ao apiário deve ser fácil, a fim de economizar tempo e reduzir os trabalhos do apicultor. No entanto, as colméias devem estar distantes 200 a 300 metros, no mínimo, de qualquer tipo de habitação, estradas movimentadas e criações de animais. Afinal, as abelhas são seres extremamente sensíveis a odores exalados por animais e pelo homem e irritam-se com qualquer tipo de movimentação anormal que ocorra nas proximidades da colméia. E nunca é demais lembrar que seu veneno, quando injetado em grandes quantidades, é fatal para a maioria dos seres vivos, inclusive o homem.

Para prevenir o ataque de inimigos naturais das abelhas, mantenha o gramado do apiário bem limpo, livre de mato e de arbustos que dificultem o vôo das campeiras.

Produtores comerciais de mel, cera e geléia real costumam proteger suas colméias construindo uma espécie de galpão aberto, que abriga o apiário de chuvas fortes e da incidência direta do sol. Além de proporcionar uma defesa mais adequada contra as variações, climáticas, este tipo de proteção é bastante econômico para o apicultor, já que aumenta a vida útil das caixas.

Um último cuidado: o apiário deve guardar uma distância de aproximadamente cinco quilômetros de localização de outro apiário.

Vestimenta e Utensílios
Já sabemos como vivem e do que se alimentam as abelhas. Vamos, agora, saber como podemos criá-las, de forma a aproveitar sua produção excedente de mel, cera, pólen, própolis e geléia real. A isso se chama apicultura racional: a criação das abelhas, objetivando a produção de mel, cera e outros produtos, mas sem causar prejuízo à colônia.

Mas antes de denominar as técnicas e manejo de criação das abelhas, o apicultor deve conhecer os equipamentos, ferramentas e, principalmente, a indumentária, a vestimenta com que irá trabalhar. Afinal, criar abelhas não é o mesmo que criar coelhos ou ovelhas. As abelhas não são propriamente animais dóceis. Elas tratam de defender sua família contra qualquer tipo de ameaça (portanto são defensivas), e atacam todos os que consideram suspeitos com ferrão, pelo qual injetam veneno na vítima.

Assim, para trabalhar com abelhas, o apicultor deve, antes de qualquer coisa, estar adequadamente vestido, para defender-se de eventuais picadas.

VESTIMENTA
A vestimenta básica é composta por uma máscara, um macacão, um par de luvas e um par de botas. Estas peças podem ser feitas pelo próprio produtor, mas é preferível comprá-las, até que o apicultor esteja perfeitamente familiarizado com a atividade.

O melhor tipo de mascara é o de pano, com visor de tela metálica, pintada com tinta preta e fosca, que permite melhor visibilidade. Este tipo de máscara é sustentado por chapéu de palha ou vime e é fechada com um longo cadarço, que é amarrado sobre o macacão.

As luvas devem ser finas o suficiente para que o apicultor não perca totalmente o tato – fator de grande importância na manipulação das abelhas. As luvas de plástico, muitas vezes não são resistentes às ferroadas, e têm o inconveniente de não permitir a evaporação do suor das mãos, o que dificulta os trabalhos e cujo odor pode irritar as abelhas. As luvas de couro fino, brancas, são as mais indicadas.

O macacão deve ser largo, folgado o suficiente para não criar resistência junto ao corpo, o que permitiria a ferroada da abelha. As extremidades do macacão (mangas e pernas) devem ser arrematadas com elástico, para impedir a entrada de abelhas na vestimenta e o tecido deve ser resistente para defender o corpo de ferroadas. O brim é bastante utilizado e oferece uma boa proteção.

Finalmente, não se esqueça das botas. As melhores são as de borracha, branca, de cano médio ou longo, sobre o qual é ajustada a bainha do macacão.
Importante: lembre-se sempre que as abelhas são particularmente sensíveis às tonalidades escuras, especialmente ao preto e ao marrom. As abelhas têm verdadeira aversão a estas cores, que provocam seu ataque. Por isso, toda a indumentária do apicultor deve ser de cor clara. As mais indicadas são o branco, o amarelo e o azul-claro, tons que não as irritam.

Como iniciar a criação
Você pode conseguir as abelhas para iniciar sua criação de três diferentes maneiras; comprando colônias de apicultores comerciais, capturando colméias em estado natural ou atraindo famílias em enxameação para armadilhas ou caixas iscas.

Cada um dos processos apresenta vantagens e desvantagens. Comprar as abelhas, simplesmente, pode ser bastante cômodo. Ocorre que a operação não é financeiramente viável para o produtor que pretende expandir sua criação e o apicultor não tem a oportunidade de desenvolver experiências. Por outro lado, este sistema é bastante prático e simples.

Já os apicultores mais experimentados dizem que as colônias capturadas em caixas-iscas são as que se desenvolvem mais rapidamente e as mais dóceis e fáceis de serem trabalhadas. Eles explicam que isto se deve em razão da índole mais domesticável das abelhas que se sujeitam a caixas-iscas. A desvantagem deste sistema está justamente na limitação e expansão do apiário, uma vez que não se pode prever quantas colônias poderão ser atraídas para as caixas – iscas.

Finalmente, pode-se capturar enxames na natureza, removendo famílias inteiras de seu habitat natural, como cupins, troncos ocos de árvores, telhados, pneus, assoalhos, muros etc.

Dos três, a captura de enxames é certamente o mais trabalhoso. Mas ele apresenta várias vantagens: é barato (não é dispendioso), possibilita rápida expansão do apiário e conseqüente aumento de produção, e talvez o mais forte motivo – coloca o produtor em contato direto com as abelhas, proporcionando-lhe uma vivência que lhe será muito útil no manuseio de suas colméias, no dia a dia.
De fato, na operação de captura de enxames na natureza é, possivelmente, a melhor instrução que o apicultor iniciante pode ter. Para um bom número de apicultores, aliás, a captura do enxame é a primeira oportunidade de contato com as abelhas.
Se quer começar a criação através da captura de um enxame, clique abaixo para ver todos os passos para se capturar um enxame.

Captura do Enxame
Localizada a colméia, a primeira providência é cuidar do material que será usado na operação: além da vestimenta completa o apicultor deverá ter à mão o fumegador; a caixa, feita de madeira mais leve que as habituais, para facilitar o transporte, e com muita ventilação lateral – coloque estes dispositivos de ventilação usados em armários embutidos e sobretampa de tela; quadros vazios (que receberão os favos de cria); quadros com cera alveolada, para completar espaços vazios; barbantes ou elásticos de boa qualidade para fixar os favos nos quadros; serragem grossa; faca afiada para cortar os favos; e um borrifador com xarope feito de água e mel, ou açúcar; vassourinha de pelos macios e brancos; e duas bacias com boca larga, e panos para cobrirem (onde serão colocados as sobras ou favos não aproveitados).

A captura do enxame deve ser feita exatamente como se deve trabalhar com as abelhas no apiário:

· Procure trabalhar sempre em dias claros ou de sol, quentes, se possível. Nestas condições, um número maior de campeiras estará trabalhando na coleta de néctar e pólen. Assim, menos abelhas estarão defendendo a colméia, no momento da operação.

· Faça o trabalho sempre com a ajuda de um parceiro. Na apicultura toda tarefa feita a quatro mãos é mais fácil de ser realizada.

· Faça o trabalho com paciência. Movimentos calmos, cuidadosos e delicados são indispensáveis. Qualquer gesto mais brusco pode irritar as abelhas e tornar impraticável a tarefa, sem falar nos riscos para sua própria segurança.

Nunca dispense o uso do fumegador e jamais trabalhe sem a vestimenta apropriada. (Lembre-se que é o homem que se acostuma com as abelhas, e não as abelhas com o homem).

Agora que já estamos preparados para lidar com as abelhas, vamos ver quais as situações mais comuns para a captura de enxames.

1) Enxames localizados em árvores, beirais etc. – É, de certa forma, bastante freqüente a ocorrência de exames em galhos de árvores. Isso acontece quando uma família está enxameando, isto é, multiplicando a colônia e procurando uma nova moradia. Neste caso, não perca tempo: aproxime-se do enxame viajante com a caixa completa, contendo os quadros já preenchidos com cera alveolada e previamente borrifada com xarope de erva-cidreira. Borrife as abelhas com o xarope de água e mel, para diminuir sua agressividade. Se o enxame for grande, mantenha a metade dos quadros na caixa, para dar espaço às abelhas.

Um dos dois parceiros segura a caixa, com seu bojo exatamente sob o enxame. Caberá ao outro a tarefa de sacudir sobre ela o “bolo” de abelhas, com um golpe rápido e seco. Coloque a tampa da caixa, e obstrua a entrada com um pano ou pedaço de espuma. Pronto! Sua primeira colméia já pode ser instalada no apiário definitivo, sobre cavalete individual, de preferência.

2) Enxames em locais de difícil acesso – Se o enxame estiver abrigado em local de difícil acesso (cupinzeiro, ocos de árvores, fendas de pedras, forros de casas), o procedimento é diferente. Você e seu parceiro vão precisar do fumegador (já aceso), da caixa contendo quadros vazios, a faca, o espanador e a bacia com pano.

· Antes de tudo, trate de dirigir a fumaça para a colméia natural, para abrigar as abelhas a saírem de sua morada. Assim, só ficarão no seu interior, os favos com crias, as abelhas nutrizes (que ainda não conseguem voar) e a abelha rainha.

· Enquanto seu parceiro cuida do fumegador, procure localizar os favos com cria. Se a colméia estiver alojada em cupinzeiro ou tronco de árvore, utilize enxada ou machado para facilitar o acesso aos favos com cria. Eles são a chave da operação, pois, uma vez capturados e transferidos para sua caixa, vão atrair todas as abelhas da colméia. As crias atuam, portanto, como verdadeiras “iscas”.

· Localizados os favos com crias (que ficam na região central do ninho), remova-os com a ajuda da faca, recortando-os no maior tamanho possível. Encaixe estes favos nos quadros vazios e amarre-os firmemente com o barbante, com a ajuda de seu parceiro.

· Caso haja favos vazios ou com mel, a distribuição no interior da colméia deve ser a seguinte: favos com cria no centro, favos vazios ou com pólen e, nas extremidades, favos com mel.

· Finalizada a transferência dos favos para sua caixa, remova todos os vestígios da colméia anterior. Lembre-se que os favos com cria são mais preciosos para o apicultor do que os com mel. Caso sobrem favos vazios ou com mel, guarde-os na bacia e recubra-os com o pano.

· Finalizada a operação de transferência, instale sua caixa exatamente no mesmo lugar da colméia original, tomando o cuidado de manter o alvado na mesma posição da entrada da antiga colméia.

· Mantenha sua caixa com o enxame capturado neste ponto até o fim do dia para capturar o máximo de abelhas campeiras. À noitinha, tampe o alvado com uma tela para ventilação ou pano ou ainda espuma, e transfira sua caixa para o apiário definitivo.

· Parabéns! Sua criação de abelhas está começando. Você vai viver, a partir de agora, a fase mais fascinante da apicultura.

 

Desenvolvendo o Apiário
Os apicultores experientes costumam lembrar que uma colméia forte, populosa, produz mais do que quatro colméias fracas. E esta observação tem fundamento. Realmente, uma família mais numerosa apresenta maiores e melhores condições de defesa da colônia e coleta de alimento do que uma família fraca.

Este conceito, por sinal, é um dos principais fundamentos apicultura moderna: antes de expandir o apiário, deve-se fortalecer as colméias existentes. A produção final será, certamente, muito maior.

Alimentação Artificial
Vários fatores interferem no desenvolvimento e fortalecimento das colméias. Um dos mais importantes é a disponibilidade de alimento – néctar e pólen – que se reduz no outono/inverno e nas estações chuvosas (que impedem ou dificultam as floradas).

Nestes momentos de carência de alimento, o apicultor deve cuidar para que não falte alimento às suas abelhas. De toda forma, o apicultor deve ter em mente a alimentação artificial só é fornecida à colméia para repor o alimento em falta ou para estimular a família e, particularmente, a rainha, nos períodos que antecedem às floradas.

O alimento artificial comumente usado pelos apicultores é constituído de uma solução de água fervida (para diminuir a possibilidade de fermentação do produto), e açúcar acrescido de mel, caso haja em disponibilidade. Este produto – na verdade, um xarope – é fornecido à colméia por meio de um alimento denominado Boardmann, frasco acoplado a uma base de madeira, a qual é encaixada na entrada da caixa.

O inconveniente deste sistema é que, especialmente em apiário com grande número de famílias, pode levar à pilhagem do alimento por abelhas de outras colônias. Para evitar este risco, muitos apicultores preferem fornecer alimento artificial sólido, mais conhecido como cândi, preparado com açúcar de confeiteiro e água. O açúcar é dissolvido na água e a mistura é levada ao fogo, sendo fervida vagarosamente, mexendo sempre para não queimar, até atingir o ponto de bala.

Este alimento é fornecido em cochos, que são alimentadores instalados no interior das caixas, junto a uma das paredes laterais, no lugar de um quadro. Neste caso é importante colocar flutuadores – madeiras pequenas – para que as abelhas não se afoguem.

Controlando a Enxameação
Uma das causas de maior frustração para o apicultor é a enxameação de uma família, ou seja, o abandono da colméia. Há várias razões que explicam esta atitude – mais comum entre as famílias africanas e, infelizmente, não existe um sistema de controle infalível, que seja 100% eficiente. É assim que elas asseguram sua sobrevivência e desenvolvimento.

Mas o apicultor dispõe de alguns métodos para evitar a perda de colônias. Um dos melhores indicadores é a observação do desenvolvimento da família. Colônias muito populosas, que não dispõem de espaço suficiente para se desenvolver na colméia, costumam enxamear, em busca de habitação menos apertada.

A mudança de habitação é mais freqüente nos períodos mais quentes do ano novembro a fevereiro, mas nada impede que uma família enxameie durante meses mais frios.

O congestionamento da colméia é relativamente fácil de ser constatado. Quando há falta de espaço na caixa, as abelhas se agrupam na entrada da colméia, formando a aglomeração que os apicultores chamam de barba.

Em colméias super populosas, a tendência, principalmente nas épocas quentes é a enxameação, situação em que o enxame se divide enfraquecendo por demais o ninho, e por conseguinte, prejudicando a produção dos produtos apículos. Na figura ao lado pode-se observar o acúmulo de abelhas fora do ninho (barba), sintoma de enxame preste a migrar.

Caso a barba permaneça na entrada da caixa por muito tempo, mais de uma semana, é sinal de que as abelhas podem enxamear em breve. Neste caso, faça uma inspeção na caixa para destruir as realeiras existentes e dar mais espaço a família. Este espaço extra pode ser obtido pela remoção dos quadros de mel e pólen – que impedem a circulação das abelhas e a expansão da colônia – ou pela instalação de uma caixa extra, sobrecaixa, dotada de quadros com cera alveolada. Em circunstâncias normais, a última opção é mais aconselhável, por resolver o problema por um bom tempo.

Para prevenir a enxameação, nunca deixe altar alimento à família. As abelhas africanas são especialmente inclinadas a enxamear na falta de alimento. E, suspeitando da possibilidade de enxameação, elimine os favos de zangões, cujas células são maiores do que as de operárias.

Finalmente, uma rainha velha e decadente, com baixa postura, pode levar a família a enxameação. Neste caso, o único jeito é substituir a rainha por outra mais jovem e produtiva.

Multiplicação Artificial de Colméias

Como se viu, as campeiras são dotadas de uma memória geográfica, razão pela qual sempre retornam ao ponto de onde saíram, orientadas pela posição do sol.
Baseando-se neste principio, podemos promover a divisão artificial de uma ou mais famílias, para ampliar o apiário. Este trabalho, no entanto, só deve ser feito nos períodos de maior florada e de boas condições climáticas (ausência de chuvas contínuas e nos períodos de calor). Naturalmente, a família que se pretende dividir deve ser populosa, forte, possuir um bom número de crias e, de preferência, propensa a enxamear. Para dividir a família, proceda da seguinte forma:
» Transporte a colméia populosa para novo ponto, distante pelo menos cinco metros do local original.
» Instale, no local original onde estava a colméia populosa, uma nova caixa.
» Transfira da colméia populosa para a nova caixa todos os quadros com cria nova (alvéolos não operculados) e ovos, um ou dois favos com cria madura (alvéolos operculados) e metade dos favos com mel. Complete com quadros contendo cera alveolada, e transfira algumas abelhas nutrizes da colméia populosa para a nova.
» Existindo quadros com realeiras, transfira -os para a nova caixa. Isto vai auxiliar o desenvolvimento da nova família.

Pode-se fazer uma divisão utilizando um “núcleo”, que é uma caixa de tamanho reduzido pela metade, ou seja, utiliza apenas 5 quadros ao invés de 10. A vantagem é que não será preciso tirar muitas abelhas do enxame mais forte, logo, ele continuará produzindo a pleno “vapor”.O procedimento é o mesmo, já citado.Observe foto abaixo.

» Feita a divisão, na caixa forte, que foi transferida de lugar, ficarão a rainha, as abelhas novas (nove nutrizes, faxineiras e engenheiras), os quadros com cria madura e quadros com mel. Completando a caixa, coloque os quadros contendo cera alveolada.

» A nova colméia receberá todas as abelhas campeiras que, com a ajuda das nutrizes, vão criar nova rainha, aproveitando a existência de realeiras ou, na falta destas, das larvas e ovos.
» Há diversos outros métodos de divisão de famílias, mas todos eles se baseiam neste mesmo sistema. O processo descrito aqui é o mais empregado, por ser o mais simples e prático.

Manejo das Abelhas
O verdadeiro trabalho do apicultor começa após a instalação de suas primeiras colméias. É aqui que começam as diferenças entre a apicultura racional da pilhagem ou exploração de enxames que vivem em estado natural. E o papel do apicultor é o de amparar suas abelhas nos momentos mais difíceis, para poder beneficiar-se nos estágios em que as colméias se encontram na plenitude produtiva.

Para tanto, é preciso que se entenda que a colônia vive em constante ciclo: nos períodos de escassez de alimento, a família definha, os zangões são expulsos da colméia, cai a postura da rainha e, conseqüentemente, diminui ou cessa a produção de mel, pólen e cera.

É nesse momento que entra a ação do apicultor, socorrendo sua colônia. Ele deve providenciar alimento artificial para sua criação (como veremos adiante), reduzir a entrada do alvado nos períodos de frio, para auxiliar a manutenção da temperatura ambiente no interior da colméia, fornecer cera alveolada para poupar as abelhas da trabalhosa tarefa de produzir cera, verificar o estado dos quadros etc.

Já nas épocas de floradas abundantes, a produção de mel da colônia, desde que tudo esteja correndo satisfatoriamente, é farta o bastante para que o homem – o apicultor, no caso – possa colher boa parte para si, sem causar prejuízo às abelhas. Igualmente cresce a produção de pólen, cera, geléia real e própolis, que pode ser explorada, racionalmente, pelo apicultor. A colônia cresce, permitindo que o apicultor promova o desenvolvimento de seu apiário, fortalecendo famílias fracas, desdobrando colônias mais vigorosas, aumentando assim seu apiário e criando novas rainhas para substituir as já velhas, cansadas e decadentes.

Inspeção da Colméia
Para verificar o andamento dos trabalhos da colméia é interessante, nos momentos de necessidade, fornecer alimento nos períodos de carência. Verifica-se também a conformação dos favos e postura da rainha etc. O apicultor deve fazer inspeções periódicas.

Este trabalho de revisão, como foi dito, deve ser feito pelo apicultor devidamente trajado com sua vestimenta, em dias quentes e ensolarados e, preferencialmente, com a ajuda de outro colega. Neste tipo de atividade, o uso do fumegador é obrigatório e o trabalho deve ser feito de forma rápida, em movimentos tranqüilos, delicados, porém decididos. Gestos ou ações bruscas podem provocar a irada reação das abelhas.

Para realizar o trabalho de inspeção ou revisão, aproxime-se sempre pelo lado de trás da caixa. Nunca interrompa, com o corpo, a linha de vôo das abelhas, que entram e saem da caixa em busca de alimentos.

No momento da inspeção, após aberto o ninho, tem-se o costume de utilizar um pano úmido para cobrir o lado que não está sendo inspecionado. Além de refrescar a colméia, mantém o ambiente escuro, evita a saída das abelhas e evita-se que outras abelhas do apiário tentem entrar na colméia, o que irritaria as abelhas prejudicando assim a inspeção.

O trabalho de inspeção começa sempre com a fumegação da caixa. Não faça fumaça em excesso para não provocar o efeito contrário ao desejado, ou seja, acabar irritando as abelhas; procure sempre fumegar ao lado até chegar a fumaça branca e não tão quente. Antes de abrir a caixa para fazer trabalho de revisão propriamente dito, faça fumaça junto ao alvado. Duas ou três baforadas leves bastam. Para abrir a tampa, e começar o trabalho de revisão, enquanto uma pessoa abre o teto da caixa a outra faz fumaça sobre a caixa horizontalmente. Nunca diretamente sobre os quadros. Duas a três baforadas são suficientes. Que a fumaça seja fria ou branca e nunca quente ou azul.

Bibliografia

Bibliografia do curso Apicultura

Parker, Steve. Insetos . Editora Ática – 1995
Aprenda a criar abelhas. EditoraTrês Lida – São Paulo – 1986
Conhecer 2000. Editora Nova Cultural – 1990
Enciclopédia Barsa – 1999
Enciclopédia Encarta – 1998
Schmutzler, Werner – Driblando as abelhas. Ind. Gráficas Capelli Ltda – 1989
Abelhas – Coleção Animais. Editora Três Rios – 1995
Mil Bichos. Editora Abril – 1978
Guia Rural Abril – Anuário 1986 e 1988. Editora Abril Cultural
Manchete Rural – nº 5 – Agosto de 1987. Bloch Editores S.A.
Insetos – 1995. Editora Ática S.A
Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais – 1993. Editora Três Ltda

Sites:
http://rgm.fmrp.usp.br/beescience/princ.htm
http://apacame.org.br/
http://www.sebraesp.com.br/cidadedasabelhas.html
http://www.botunet.com.br/cevap/portugues/Emergencia/abelhas.htm