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A
mandioca é uma cultura de origem sul-americana,
tendo como centro de origem a Amazônia
brasileira; adapta-se a diversas situações de
solo e clima e é cultivada em todos os estados da
federação.
É a mais antiga planta cultivada em nosso país.
Os portugueses quando aqui chegaram já a
encontraram sendo cultivada pelos índios e usada
no fabrico de vários tipos de comida e de
bebidas. Devido a essa larga utilização e
facilidade de cultivo, a cultura foi levada para
diversos países. Atualmente, o sudeste da Ásia
domina o mercado exportador mundial
de subprodutos de mandioca, principalmente os
usados em formulações de rações animais.
Quanto ao volume de produção, o Brasil ocupa o
segundo lugar no ranking mundial, com 24 milhões
de toneladas de raízes e produtividade de 13,4
toneladas de raízes por hectare, vindo atrás da
Nigéria, com produção superior a 30 milhões de
toneladas.
No Brasil os maiores produtores são os estados do
Pará, Bahia e Paraná. No país, a maior parte
das raízes são transformadas em farinha; a
produção nordestina, maior ou menor, conforme as
condições climáticas, regula o preço esperado
da tonelada de raízes no restante do país. A
produção nacional de fécula (goma) é de 300
mil toneladas, sendo toda consumida aqui no país.
Segundo o IBGE (produção agrícola municipal,
2000), a produção de Roraima é de 58.500
toneladas de raízes, com uma produtividade de 13
toneladas por hectare, destacando-se os
municípios de Pacaraima, Cantá e Rorainópolis,
com produções de 12.000, 10.000 e 8,100
toneladas de raízes, respectivamente. Se
considerássemos para Roraima um consumo per
capita de farinha de 22,6 kg por habitante (média
do consumo de Belém do Pará de 37,8 kg / hab e
da região metropolitana de Fortaleza-CE, de 7,4
kg/hab),
computando-se uma população de 320.000
habitantes e tomando-se um fator de 25%
farinha/raiz de 25%, temos que o estado seria
potencialmente autosuficiente em farinha; mas
temos produtos do Acre e Rondônia em nossas
prateleiras. Estarão competindo em preço e/ou
qualidade com nosso produto? E os outros usos
possíveis desta cultura tão difundida entre
nós? A agroindústria do amido de mandioca é uma
das cinco áreas prioritárias para investimentos
em Roraima, segundo estudos da Suframa e
Seplan-RR. O
amido é empregado em diversos setores da
indústria alimentícia, na mineração,
construção de papel e papelão, na indústria
têxtil etc. As indústrias de madeira compensada
são potenciais compradoras de nosso amido. Há um
projeto em tramitação no Congresso Nacional
visando a substituição parcial da farinha de
trigo pelo amido, para uso em panificação,
comprovadamente viável e com boa aceitação.
A maior utilização da mandioca na alimentação
animal é outro setor a ser explorado: a parte
aérea da planta tem alto teor de proteína, sendo
geralmente desperdiçada e a produção de raspas
secas com as raízes possibilita incrementar o
setor de rações. As folhas secas e moídas
também compõem a multimistura, produto
complementar na alimentação de crianças, uma
vez que é de grande valor nutritivo.
Esta cultura, tão importante para nós
brasileiros, social e economicamente, que produz
segundo o nível de tecnologia e insumos
empregados, vem sendo trabalhada pela Embrapa
Roraima através de seleção de materiais para
cultivo com ênfase em áreas de florestas
alteradas. Há dois anos tiveram início trabalhos
em área de cerrado, com ensaios de adubação e
seleção de cultivares. Os experimentos com
mandioca são conduzidos no Campo Experimental
Serra da Prata, em Mucajaí, em área de mata e no
Campo Experimenta Água Boa, a 15 km de Boa Vista,
em ecossistema de cerrado. Em 2001, as malocas
São Jorge e Contão realizaram 2 hectares de
plantio mecanizado cada uma, em área de cerrado,
com resultados prejudicados pela indisponibilidade
de cultivar adequada, o que será corrigido nos
próximos estudos. Há um trabalho de avaliação
de cultivares, com os extensionistas da Secretaria
da Agricultura em conjunto com uma Cooperativa de
produtores em Iracema e serão iniciados também
com as seguintes Associações de Produtores:
V-14, Apiau; Vila Fonte Nova, Serra Grande II;
Vila Vilhena e RR-170, Novo Paraíso.
Existem materiais produzindo mais de 26 toneladas
de raízes por hectare, na mata, sem adubação. O
material RR-0035 produziu em condições ótimas
(irrigação e solo fértil) 68 toneladas de
raízes por hectare. Os experimentos de adubação
no cerrado estão mostrando respostas crescentes
para fósforo e potássio. Experimentos de poda da
parte aérea, visando a alimentação animal,
mostraram que a poda aos 12 meses e colheita aos
16 meses, não diminuíram a produção de
raízes. Com a implementação e o fortalecimento
dos estudos em associações de produtores,
deve-se ampliar a oferta de material propagativo,
conforme os resultados e objetivos de cada grupo.
Há uma metodologia desenvolvida pelo CIAT (Centro
Internacional de Agricultura Tropical) que
permite, sem dificuldades, a multiplicação de
mudas rapidamente.
Com todo esse potencial produtivo e de consumo, a
mandioca torna-se uma ótima alternativa de renda,
tanto para pequenos quanto para grandes produtores
de nossa região.
Dalton Roberto Schwengber -
Rita de Cassia Cunha Saboya -
Dalton Roberto Schwengber e Rita de Cassia Cunha
Saboya -
pesquisadores Embrapa Roraima
dalton@cpafrr.embrapa.br e saboya@cpafrr.embrapa.br
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