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O conceito de
Reserva Genética na Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia tem sido discutido há um bom tempo.
Entretanto, tal categoria de unidade de conservação não
foi contemplada pelo novo documento do Sistema Nacional de
Unidades de Conservação -Snuc, capitaneado pelo Ibama.
Seria muito interessante a formalização dessa categoria,
tendo em vista que as Unidades definidas pelo Sistema
oficial padecem de instrumentos operacionais para viabilizar
a pesquisa científica em que intervenções de manejo são
totalmente proibidas.
A Reserva Genética Florestal Tamanduá foi uma das
primeiras a serem implantadas no âmbito da Embrapa. Outras
também foram implantadas, como por exemplos em Padre
Bernardo(GO), Caçador (SC) e Jarí, (AP).
A Reserva Tamanduá está localizada em área de
mata-de-galeria, pertencente à Embrapa Hortaliças, na Região
Administrativa do Gama, a cerca de trinta quilômetros da
rodoviária do Plano Piloto de Brasília. Possui uma área física
de 21,08 ha, tendo o Córrego Tamanduá, que nasce na área.
como principal curso d´água.
Em 1984, foram realizados a demarcação e mapeamento
plani-altimétrico da área. Foi, assim gerado o primeiro
mapa-base da Reserva. Para isso foi utilizado o equipamento
mais sofisticado da época, com teodolitos e níveis,
utilizando-se de alvo, prismas refletores, no lugar das
velhas miras de madeira. Não somente o perímetro da área
foi levantado dessa maneira, mas também a marcação das
parcelas para os primeiros levantamentos executados na
Reserva. Estes levantamentos iniciais mostraram a grande
diversidade de espécies madeireiras existentes na área,
como angico, copaíba, ipês, garapa, peroba, guatambu,
jatobá, morototó, jequitibá, gonçalo-alves, ucuúba,
capitão-da-mata, pombeiro, entre outras. O trabalho a ser
realizado era sempre muito grande, mas o entusiasmo da
pequena equipe de engenheiros florestais e agrônomos, era
ainda maior. Bolsistas de Iniciação Cientifica e Mestrado
do CNPq realizaram estudos de autoecologia de espécies como
garapa, gonçalo-alves, morototó, ucuúba copaíba. Tais
trabalhos foram divulgados em vários formatos, como artigos
publicados em periódicos especializados, bem como
apresentados em congressos e outros eventos, na forma de
palestras e posters.
O monitoramento das espécies sempre foi um dos pontos
chaves das pesquisas realizadas, tendo como objetivo
principal o conhecimento da estrutura da floresta, mas também
como ela funcionava ao longo do tempo. Assim, estudos de
observações fenológicas, ou seja ocorrência de eventos cíclicos
na vida das árvores eram realizados para um grupo definido
de espécies-alvo. Estes eventos são representados por
mudança foliar, surgimento de flores, polinização, formação
e amadurecimento de frutos e dispersão de sementes. As árvores
com características desejáveis para futuros programas de
melhoramento genético eram escolhidas dentre as demais
ocorrentes na população e definidas suas posições para
mapeamento e acompanhamento detalhado de seu desenvolvimento
ao longo do tempo.
Outro aspecto importante da Reserva, que levou a execução
de estudos mais detalhados foi a existência de espécies
que se sobressaíram em termos de freqüência e abundância,
como por exemplo as perobas e os guatambus, pertencentes ao
gênero Aspidosperma.
Estudantes e professores interessados em realizar visitas,
aulas ou pesquisas na Reserva Genética Florestal Tamanduá
podem entrar em contato com o pesquisador Edson Leite no
telefone (61) 448-4619 ou pelo correio eletrônico edson@cenargen.embrapa.br
Edson Junqueira Leite
Pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Edson Junqueira Leite - edson@cenargen.embrapa.br
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