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O
gado Gir, na Índia, tem a sua área geográfica ao sul da
península de Catiavar, enquanto o Guzerá fica ao norte;
porém também é criado no interior do continente.
No
Brasil, a raça Gir ocupa o primeiro lugar quanto ao número
de animais registrados. No passado, muitos criadores deram
importância exclusiva a caracteres raciais, de menor importância
econômica; depois, evoluíram para a seleção de rebanhos
e linhagens dotados de maior capacidade produtiva, tanto
para carne como para leite.
Descrição
Peso
de 500 Kg na vaca e 700 a 800 no touro. Estatura de 120 a
128 cm na vaca e 125 a 133 no touro. Pelagem chitada,
malhada de vermelho sobre fundo mais claro, comumente com as
orelhas, pescoço, membros e vassoura mais escuros até o
preto; apresenta outras cores como o vermelho retinto, o
amarelo, o branco sujo com pintas pretas, etc. O couro é
solto, macio, pigmentado, e não deve ser grosso nem fino,
coberto de abundantes pelos curtos, finos e sedosos. A
mucosa é preta. Áreas despigmentadas na pele constituem
defeito, sobretudo em região exposta ao sol.
Cabeça
forte, sem ser pesada, de perfil ultraconvexo,
assemelhando-se a uma pêra, com fronte larga, redonda,
muito proeminente. Os olhos são pretos, adormecidos, bem
afastados, com pálpebras pretas, alongadas e enrugadas. As
orelhas são em geral muito compridas, em forma de canudo na
base, torcidas e pendentes, quase relaxadas, freqüentemente
recortadas em dois lobos e terminadas em ponta virada para
dentro, chamada bico de gavião; observa-se alguma variação
no comprimento, largura, cor, forma e bico da orelha em
exemplares tidos como puros. Os chifres são negros, curtos
e grossos na base, implantados e dirigidos para trás e para
baixo, depois levantando-se para os lados e para a frente;
mais finos e compridos na vaca, que os tem voltados para
dentro. O chanfro é longo e fino, notadamente na fêmea e o
focinho regularmente grosso.
Pescoço
curto e grosso no touro, fino na vaca. Barbela desenvolvida:
sendo demasiado longa e pregueada, como é apreciada por
muitos criadores, é condenável; seria de desejar barbela
reduzida, com o mínimo de pregas.
Corpo
quase cilíndrico, longo, compacto, aproximando-se mais do
tipo de corte que o de qualquer outra raça zebuína. Giba
colocada adiante do garrote, volumosa no touro e média na
vaca. Linha dorsolombar reta, tão horizontal quanto possível
até a anca. Dorso e lombo largos e musculosos, arredondando
para os lados. Ancas largas. Garupa grande, comprida,
musculosa, arredondada em calota, porém muito inclinada;
essa inclinação não deve ser levada ao exagero,
devendo-se preferir em igualdade de condições animais de
garupa menos caída. Cauda fina e longa, de inserção
relativamente alta, em contraste com a garupa. Peito
comparativamente largo, com alguma projeção do esterno.
Paletas pequenas, delicadas, bem cobertas. Costado amplo,
regularmente musculado. Linha do ventre tão direita quanto
possível, com bainha muito longa, mas que deve ser curta.
Flanco reduzido e patinho baixo. Úbere volumoso, com tetas
grandes. Coxas arredondadas, grandes, espessas, descidas.
Membros
corretamente aprumados, antes curtos e com ossatura
nitidamente fina. Cascos de cor negra, grandes e acachapados,
porém prefere-se que sejam pequenos e duros.
Aptidões
A
finalidade geral da raça é a mesma das demais raças
zebuinas.
Consideramos
o Gir a raça zebuina mais bem conformada, levando como única
desvantagem em relação às demais o menor peso.
Acreditamos ser possível aumenta -lo.
Sua
conformação para o corte é boa, e embora com alguma
deficiência muscular nos quartos anteriores e garupa caída,
é superior à das demais raças zebuinas.
Os
novilhos provenientes de reprodutores desta raça dão
melhores carcaças e, sobretudo, melhor rendimento, entre 62
e 67%, em conseqüência de sua ossatura fina e membros
reduzidos.
Embora
de desenvolvimento relativamente lento, o Gir é bom
produtor de carne de boa qualidade. Em concursos de bois
gordos, no Estado de São Paulo, já foram apresentados
animais com peso acima de 400 Kg e com idade entre 2 e 2 1/2
anos.
O
seu temperamento é mais tranqüilo que o das demais raças
zebus, e as qualidades leiteiras das vacas são bastante
pronunciadas, o que beneficia o desenvolvimento do
bezerro.Tenta-se a seleção de uma variedade leiteira. Em
alguns rebanhos a produção é regular em regime de meia
estabulação. Para este fim seria vantajoso formar uma nova
raça cruzando o Gir com uma raça leiteira bem adaptada,
como, por exemplo, a Holandesa vermelha e branca. O bezerro
é pequeno, mas muito resistente. As vezes encontra
dificuldade em mamar devido à grossura exagerada das tetas.
Um defeito que se incrimina no Gir, é o prepúcio muito
baixo, que favorece as feridas dele e da verga, nos campos
sujos, o que às vezes inutiliza o reprodutor. Para os
campos limpos, contudo, a única restrição é feita ao seu
tamanho.
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