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Os
bovinos de raça Marchigiana têm um passado antiquíssimo;
de origem "Padólica", foram introduzidos na Itália,
depois do século V de nossa era, trazidos pelas populações
bárbaras, que após a queda do Império Romano invadiram a
Península. Resultaram de cruzamentos de bovinos Pullesa e
Romanos, com os Chiana, com os quais muito se parece.
Até
1960 ainda se fazia distinção entre a raça melhorada das
Marcas (Marchigiana gentile ) e os tipos das montanhas, que
vêm sofrendo progressiva redução, verificando-se a
uniformização da raça. A raça se difundiu para as regiões
próximas, caracterizadas por verões secos e quentes e
invernos úmidos e frios, e onde os terrenos são, em sua
maior parte, argilosos e compactos ou saibrosos e áridos.
Encontra-se principalmente nas províncias de Ancona,
Macerata, Abruzzos, Benevento, Lacio, Câmpania e as Marcas,
mas está amplamente distribuída em numerosos núcleos, em
outras zonas de toda região centro-sul da península. A
criação é feita desde as planícies, a pequena altitude,
até as fraldas das montanhas. Em algumas regiões, o
cultivo de cereais e de leguminosas proporcionam forragens
para o gado; em outras, ele fica na dependência dos pastos
naturais e de feno. Os concentrados ajudam na alimentação
do gado.
Características
A
pelagem do Marchigiano é cinza bem claro, por vezes quase
branco, mais escura na vassoura da cauda, nas orelhas e ao
redor dos olhos. A pele é pigmentada, e a língua, o
espelho nasal e as mucosas das aberturas naturais são
negras.
A
cabeça é curta e larga, de perfil retilíneo. Os chifres,
de tamanho médio, são amarelos na base, brancos na parte
mediana e negros nas pontas; dirigem-se para os lados, mas
se encurvam para diante nos machos e para cima nas fêmeas.
O
corpo é volumoso e de forma cilíndrica. É de comprimento
médio e a linha dorsal é reta. As espáduas são muito
musculosas, os lombos e quartos traseiros são largos. O tórax
é profundo e as costelas bem arqueadas. As patas são
curtas, com ossos fortes e músculos dos quartos traseiros
volumosos, chegando até os jarretes. As difíceis condições
de ambiente e de alimentação e o emprego continuado nos
trabalhos dos campos acentuaram, no passar dos séculos, o
desenvolvimento das massas musculares e os dotes de resistência,
sobriedade e docilidade.
Produtividade
O
gado das Marcas tem sido criado para a produção de carne e
para trabalho. Nos anos recentes o trator trouxe a redução
de demanda de bois para os serviços agrícolas - tração
de carros e arados- nas terras planas, fazendo com que se dê
mais atenção à sua capacidade de desenvolvimento e aptidão
para o corte.
Os
bezerros nascem bem pesados, com 40 a 50 quilos, e
apresentam crescimento bastante rápido. Novilhos de corte,
com 14 a 16 meses, bem alimentados, com concentrados, podem
pesar até 550 quilos, com rendimento médio da carcaça, da
ordem de60 a 62%. O consumo de vitelos, com apenas um ano de
idade, é muito grande na Itália.
O
gado é de temperamento dócil, aproveita muito bem os
alimentos e responde muito bem ao arraçoamento, o que o
torna muito apreciado para o sistema de confinamento. Em
seus trabalhos sobre as raças européias, French dá os
seguintes pesos para os Marchigianos: machos, com um ano de
idade, de425 a 450 quilos; aos dois anos, 750 a 830;
adultos, 1.100 a 1.200 quilos. Para fêmeas, com um ano, 300
a 400 quilos; aos dois anos, 480 a 550 quilos, e para vacas
adultas, de 630 a 680 quilos. A adaptação a condições
ambientais difíc2eis e uma seleção genética natural em
regime de consangüinidade, atingidas no correr dos séculos,
acabaram transformando-se em fatores de interesse para os
criadores de gado de corte de muitos países.
As
novas técnicas introduzidas no campo da Zootecnia
permitiram recente avaliação otimista quanto às
possibilidades de obter carne de boa qualidade, abundante e
sem gordura, mediante o desenvolvimento da raça e utilização
de produtos de seus cruzamentos com outras raças. Como
temos mencionado, nos últimos 15 anos observou-se uma nova
orientação na preferência dos consumidores, que em lugar
de pedir carnes gordas, exigem agora o produto desprovido de
gorduras de cobertura e mesmo a entremeada, quando em
excesso. A Marchigiana, como outras raças italianas e ao
contrário das variedades britânicas, tem sua carne magra,
macia, de ótima ossatura e coloração. Os bezerros novos -
vitelos - podem ser abatidos com idade inferior a 5 meses,
tendo sido alimentados com o leite materno, integrado no último
período com forragens secas e farinha de cereais, cevada,
milho e sementes de leguminosas; alcançam então os machos
250 quilos e as bezerras 210, dando 68 a 70% de rendimento
na matança. O esqueleto é fino e o rendimento de carne
sempre elevado. Além dos novilhos cevados, aproveitam-se
para abate, fêmeas novas, dos 2 aos 4 anos, que tenham já
parido ou não, e apresentem apenas um par de dentes de
leite. Esses animais fornecem produto de ótima qualidade,
praticamente igual ao dos novilhos, e como tal é geralmente
vendido ao consumidor.
O
aumento de peso diário, no primeiro ano de vida pode
atingir de 1,200 a 1,300 Kg nas linhagens selecionadas. As
vacas, depois de terminada sua vida reprodutiva, geralmente
aos 12 anos de idade, vão para o abate, pesando mais de 600
quilos; aproveitam bem a alimentação no período que
procede o envio para o consumo e dão bons quartos, em
qualidade e rendimento. Foram já realizados testes de
novilhos mestiços Marchigiana com Nelore e Guzerá, cujos
resultados estão em outro capítulo deste trabalho que
analisa a reprodução da carne de várias raças e
cruzamentos.
O
registro genealógico para a raça Marchigiana teve suas
atividades intensificadas a partir de 1930 e foi
oficializado pelo Ministério da Agricultura Italiano em
1957, ano em que foram inscritos 9.264 reprodutores, entre
machos e fêmeas. O rebanho, nessa época, alcançava um
milhão de cabeças, representando 8 por cento dos bovinos
existentes na Itália. Nos últimos anos vem-se observando
grande incremento dos núcleos de seleção, estimulados
pelas exportações de correntes do aumento da demanda
mundial da carne. Na Itália calcula-se que a produção de
carne vendida corresponda a um desfrute de 40 por cento do
rebanho das raça. É um índice elevadíssimo, conseguido
graças aos cuidados na criação, nível muito baixo de
mortalidade e abate de alta porcentagem de animais muito
jovens.
Graças
a um trabalho intensivo de defesa sanitária, orientando
pelo serviço genealógico, desde 1953 o rebanho esta
totalmente livre da ocorrência de casos de brucelose e
tuberculose. O emprego da inseminação artificial vem
concorrendo para o aperfeiçoamento do rebanho pela ação
de touros altamente melhoradores, como demonstram os testes
de progênie a que são submetidos, condição para a sua
entrada em serviço.
No
Brasil
No
Brasil, o registro genealógico esta em sua fase inicial de
trabalhos. O padrão brasileiro segue o do país de origem.
Entretanto, foram estabelecidos limites mínimos de pesos,
para sua inscrição. Aos sete meses, 250 quilos para os
machos e 220 para as fêmeas; aos 12 meses, 350 e 300; aos
180 meses, 500 para os machos e 400 para as fêmeas. Aos 24
meses devem estar pesando os machos 700 Kg, e as novilhas
500. Não há limites para o peso dos animais adultos.
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