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SP:
pecuária de corte é a atividade menos produtiva do
campo |
Gazeta Mercantil
A atividade é hoje a que tem o maior déficit de tecnologia
no campo, segundo estudo da Scot Consultoria. O levantamento
mostra que a diferença de produtividade entre a melhor
fazenda de gado de corte do País e a "pior" é de 70%. Na
atividade leiteira, o índice cai para 40%. E na agricultura
é bem pequeno: 20% para a cana-de-açúcar e 10% para a soja.
"No caso da pecuária de corte o intervalo é muito grande.
Isso significa que o potencial de produção da pecuária
brasileira está apenas no começo", afirma o diretor da Scot
Consultoria, Alcides Torres. Segundo ele, a falta de
recursos para investimento é que provocam esta defasagem.
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
mostram que, em média, a pecuária fica com apenas 20% dos
recursos destinado ao custeio das atividades do campo - os
valores referentes aos investimentos não foram fornecidos.
"Não há, não houve, não existe nenhuma política de fomento
de estímulo à produção pecuária", diz Torres.
Segundo o levantamento da Scot Consultoria, a taxa de
lotação média da pecuária brasileira hoje é de 0,8 unidade
animal por hectare - cada unidade tem 450 quilos de peso
vivo. Torres acredita que, em um horizonte próximo, diante
dos resultados positivos da atividade no último ano, o País
já possa incorporar tecnologia. Se chegasse a um índice, por
exemplo, de 1,2 unidades animais por hectare, o Brasil teria
um rebanho de 301,5 milhões de animais ou 30% do mundo
(segundo dos dados de Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos). Pelo levantamento da consultoria, com
quatro unidades animais por hectare, todo o rebanho mundial
caberia na superfície de pastagem do Brasil, sem necessidade
de incorporação de novas ou de desmatamento.
O diretor acrescenta, no entanto, que este universo não será
sentido em curto prazo - dois a três anos - por causa do
ciclo da pecuária. O setor passou por alguns anos com os
preços do boi gordo em baixa e, em virtude disso, houve
descarte de matrizes. Hoje, a disponibilidade de bezerro e
de fêmeas é baixa. Assim, segundo ele, nos próximos anos,
até que haja uma "harmonia" nesta oferta, a produtividade
estará em baixa. Mas, na avaliação do diretor da AgraFNP,
José Vicente Ferraz, apesar de os investimentos demorarem um
ciclo completo para serem sentidos - entre dois anos e meio
e três anos - a previsão é que, já no ano que vem, haja um
boom de dispêndio de dinheiro dos pecuaristas visando a
melhoria da produtividade - tanto na compra de genética
quanto em ações "simples", como a melhoria da pastagem.
"Tudo pode ser feito sem necessidade de aumentar a área, é
crescimento vertical", afirma. De acordo com o diretor da
consultoria, a incorporação de tecnologia não
necessariamente passa pela necessidade de o País mudar seu
sistema produtivo e passar a usar, por exemplo, o
confinamento. Existem muitas outras ferramentas que podem
elevar a produtividade, como a divisão do pasto, a
suplementação mineral , a correção do solo, e o manejo
rotacionado de capim.
Ferraz, lembra que as realidades de produção são muito
distintas em todo o País. "A pecuária gaúcha não tem nada a
ver com a do Centro-Oeste, que não também não se assemelha à
do Nordeste", afirma. Neste sentido, segundo ele, a
incorporação da tecnologia depende da região. Segundo ele,
por exemplo, em Mato Grosso e no Pará a simples divisão do
pasto já traria muitos benefícios.
Os
analistas não sabem estimar os custos do emprego de
novas tecnologias, nem quanto o País precisaria investir
para chegar a uma produtividade mais elevada. "Mas, com
certeza, o benefício é maior que o custo", afirma Torres. Se
para ele parte da "defasagem tecnológica" da pecuária
brasileira tem a ver com o financiamento da atividade, para
Ferraz, está correlacionada com a rentabilidade do setor.
"O nível tecnológico de qualquer atividade é determinado
pela relação custo-benefício. O produtor precisa ver lucro
para querer aumentar a produtividade", acredita. Mas ele
acrescenta que se houvesse maior disponibilidade de
recursos, o produtor de gado de corte teria maiores
condições que o agricultor por ter menos endividamento.
Torres lembra também que é preciso uma mudança de cultura
não só dos bancos, para ofertar mais recursos, mas também do
produtor, de pensar os custos de sua atividade em hectare e
não em arrobas. "É agricultura de capim", conclui Torres.
O diretor da Scot Consultoria lembra também que, se hoje o
Brasil fosse tão eficiente, não haveria onde colocar toda a
oferta de carne e os preços cairiam. Mas acrescenta que o
consumo mundial de proteína animal tem crescido e,
investindo em tecnologia, o País pode acompanhar a demanda.
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