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do Brasil
para o
Portal do
Agronegócio |
Para crescer ainda
mais as exportações
e conquistar novos
mercados, os
produtores
brasileiros precisam
agregar valor aos
produtos, com
melhorias no status
sanitário (como o
controle da bactéria
Listeria
monocytogenes,
exigido nos EUA e
UE, mas quase
ignorado no Brasil),
na rastreabilidade
(registros
necessários para
identificar e
informar os dados
relativos à origem e
ao destino de um
produto) e
adquirindo mais
certificações para
seus processos.
O Brasil possui o
maior rebanho de
carne bovina do
mundo, com
aproximadamente 200
milhões de cabeças;
a terceira maior
produção de carne de
frango, com 10.035
toneladas métricas;
e a quarta maior
produção de carne
suína, com 2.775
toneladas métricas.
O país é o maior
exportador mundial
de carne bovina e de
frango e o quarto em
carne suína.
Estima-se que a
perda nas
exportações de carne
bovina em 2005 foi
de US 300 milhões em
função dos focos de
febre aftosa.
A listéria (Listeria
monocytogenes) é uma
bactéria móvel,
resistente ao
congelamento e
outras condições
adversas, sobrevive
por longos períodos
em indústrias
processadoras de
alimentos e áreas
manipuladoras de
alimentos e está
amplamente
distribuída na
natureza. A maior
incidência de
listéria está
associada aos surtos
de doenças
transmitidas por
alimentos. Ela
sobrevive no homem,
que pode ser
contaminado através
de fábricas
processadoras de
carnes, leites e
derivados,
geladeiras,
vegetação, frutas,
legumes, água (rios,
lagos, mar, etc),
mamíferos, aves
domésticas e
silvestres, peixes,
crustáceos,
moluscos, rãs,
esgotos tratados ou
não, solo, estrume,
carrapatos, etc.
A infecção por
listéria, chamada de
listeriose,
apresenta uma alta
taxa de mortalidade.
Ela é a causa de 38%
dos óbitos nos EUA
relacionados a
doenças de origem
alimentar (Mead et
al., 1999). Segundo
dados do CDC (Center
for Disease Control
and Prevention),
órgão do governo
norte-americano
ligado ao HHS (Department
of Health and Human
Services), cerca de
2,5 mil casos de
listeriose são
registrados
anualmente nos EUA,
sendo que 90% deles
levam a
hospitalizações e
20% deles levam a
óbitos.
Os mais suscetíveis
à listeriose são
crianças, mulheres
grávidas e o feto,
indivíduos
imuno-deficientes e
idosos. Os
principais sintomas
são semelhantes à
gripe, além de febre
e diarréia. Mas ela
ainda pode causar
septicemia,
meningite,
encefalite e
infecções cervicais
e intra-uterinas em
mulheres grávidas,
levando ao aborto
espontâneo.
Calcula-se que de 5%
a 10% da população
seja portadora de
listéria.
O ano de 1998
registrou um grande
surto de listeriose
nos EUA. Depois
disso, tanto o país
quanto a UE
instituíram a
tolerância zero à
bactéria em produtos
industrializados. A
listéria é apenas a
quarta principal
causa de infecções
alimentares nos EUA
(depois da
Campylobacter,
Salmonella e E. coli),
porém, sua taxa de
mortalidade é a mais
alta. No Brasil e em
outros países em
desenvolvimento não
há estatísticas
oficiais de casos de
listeriose, pois sua
notificação não é
obrigatória.
É possível eliminar
100% de listéria,
desde que se tenham
instalações
adequadas aos
processos de higiene
e que procedimentos
como desinfecção,
higienização, boas
práticas de
fabricação, manter o
refrigerador limpo,
evitar produtos fora
do prazo de
validade, aquecer
sobras a
temperaturas
elevadas, etc, sejam
seguidos.
A responsabilidade
em fornecer
alimentos seguros
cabe a todos que
pertencem à cadeia
alimentar, desde
produtores rurais
até estabelecimentos
que preparam
alimentos para o
consumo. O conceito
de Segurança dos
alimentos diz
respeito à garantia
de consumo de
alimentos livres de
contaminações e que
não provoquem danos
à saúde dos
consumidores. O
cuidado com a
segurança dos
alimentos evita
problemas como
epidemias de
intoxicações e
mortes, impactos
econômicos
desnecessários,
problemas de saúde
pública, desperdício
de alimentos,
indenizações,
interdição de
estabelecimentos e
decorrente
desemprego, perda
dos clientes e
reputação do
estabelecimento,
pesadas multas e
prisões.
As legislações
vigentes estabelecem
regras para
fabricantes e
manipuladores de
alimentos referentes
a práticas de
higiene que garantam
a produção de
alimentos de forma
adequada e segura. E
o objetivo dessas
leis é proteger a
saúde da população
contra doenças
provocadas pelo
consumo de alimentos
contaminados. Estas
regras são voltadas
para indústrias
alimentícias e
serviços de
alimentação, como
padarias, cantinas,
lanchonetes, bufês,
confeitarias,
restaurantes,
comissarias,
cozinhas industriais
e institucionais. As
principais
legislações
brasileiras
referente à
Segurança dos
Alimentos são:
• Ministério da
Saúde PORTARIA Nº
1428, DE 26 DE
NOVEMBRO DE 1993
• Ministério da
Saúde - Portaria nº
326, de 30 de julho
de 1997
• Ministério da
Agricultura e
Abastecimento -
Portaria nº 368, de
4 de setembro de
1997
• Centro de
Vigilância Sanitária
- Portaria CVS-
6/99, de 10 de março
de 1999
• ANVISA - RDC Nº
275, de 21 de
outubro de 2002
• ANVISA - RDC nº
216, de 15 de
setembro de 2004
• Secretaria
Municipal da Saúde
de São Paulo -
Portaria 1.210/06/SMS.G,
de 3 de agosto de
2006.
• Lei 8.078 (1990) –
Código de Defesa do
Consumidor
No Brasil, a única
legislação que exige
o controle de
listéria em
alimentos
processados é
destinada a queijos
de alta umidade,
como ricota, meia
cura e minas. O
Programa de Redução
de Patógenos da
Anvisa contempla
atualmente apenas o
controle da
Salmonella. Existem
dados nacionais que
comprovam a
ocorrência de
listéria em alguns
alimentos:
Produtos
(quantidade de
amostras)
Lingüiça mista
frescal (5)
Listéria
100%
Fonte
Von
Laer et al., 2005
Nuggets de frango
(25) Listéria
100% Fonte
Rodrigues et
al., 2002
Mortadela fatiada
embalada a vácuo
(45)
Listéria
100%
Fonte
Berson
et al., 2001
Salmão in natura
(25)
Listéria
48%
Fonte
Silvestre e Destro,
1999
Salsicha granel (40)
Listéria
30%
Fonte
Aragon
et al., 2005
Queijo coalho (84)
Listéria
19%
Fonte
Branco
et al., 2003
Camarão (178)
Listéria
18%
Fonte
Destro
et al., 1994
Dados mundiais sobre
infecções
alimentares
provocadas pelo
consumo de alimentos
contaminados por
microrganismos
patogênicos,
produtos químicos e
outros indicam:
• 1,5 bilhões de
casos de
toxi-infecções
alimentares por ano;
• 75 milhões de
casos, 325 mil
hospitalizações e
cinco mil mortes/ano
nos EUA;
• 15 casos/pessoa
durante a vida;
• US$ 1 a 10
bilhões/ano são
gastos com estes
casos;
• Uma das causas
mais comuns de
mortalidade em
países em
desenvolvimento.
Abaixo seguem os
programas destinados
à indústria
alimentícia e aos
serviços de
alimentação
referentes à
segurança dos
alimentos que
propiciam um
controle efetivo dos
perigos de toda a
cadeia alimentar,
desde a produção,
armazenagem,
distribuição até o
consumo do alimento.
Portanto,
implementação e
controle destes
programas asseguram
a produção e
manipulação de
alimentos livres de
contaminações.
Boas
Práticas de
Fabricação de
Alimentos
As Boas Práticas de
Fabricação (BPF)
abrangem um conjunto
de medidas que devem
ser adotadas pelas
indústrias e
serviços de
alimentação a fim de
garantir adequadas
condições sanitárias
e a conformidade dos
produtos
alimentícios com os
regulamentos
técnicos. Sua
implementação é um
pré-requisito
obrigatório para as
empresas que desejam
e/ou necessitam
implementar o HACCP.
HACCP
A sigla APPCC
significa “Análise
de Perigos e Pontos
Críticos de
Controle”, tradução
para o português da
sigla HACCP, que em
língua inglesa
significa “Hazard
Analysis and
Critical Control
Points”. O sistema
APPCC identifica na
cadeia produtiva os
perigos potenciais à
segurança dos
alimentos,
avaliando-os e
controlando-os.
Ele é fundamentado
em basicamente sete
princípios, que são
as ações mínimas a
serem adotadas para
que um produto ou
conjunto de produtos
que façam parte da
cadeia alimentar
sejam considerados
seguros para
utilização pelo
consumidor.
Princípios do HACCP
• Princípio 1 -
Avaliação dos
perigos
• Princípio 2 -
Determinação dos
Pontos Críticos de
Controle
• Princípio 3 -
Estabelecimento dos
limites críticos
• Princípio 4 -
Determinação do
sistema de
monitoramento dos
Pontos Críticos de
Controle
• Princípio 5 -
Determinação das
ações corretivas
• Princípio 6 -
Determinação dos
procedimentos de
verificação do
sistema
• Princípio 7 -
Elaboração de toda a
documentação,
procedimentos e
registros
apropriados ao
sistema.
Guia
Prático de
Higienização para
áreas de manipulação
de alimentos
• Evite a
contaminação, ou
seja, a presença
indesejada de
fatores
microbiológicos (salmonella,
listéria...),
químicos (pesticida,
desinfetante...) e
físicos (pedaços de
esponja, cabelo...)
na cozinha.
• Os microrganismos
estão presentes em
todos os lugares,
apesar de não serem
visíveis a olho nu:
alimentos crus,
matérias-primas,
embalagens, água,
insetos, pessoas,
equipamentos. Alguns
fazem bem (como os
do iogurte, cerveja,
queijos), outros são
vitais (os
responsáveis pela
digestão) e outros
são perigosos,
podendo causar
doenças e até a
morte (salmonela,
coliformes, listéria...).
Em condições ideais
de temperatura,
umidade e
alimentação, em
apenas sete horas
eles se reproduzem
até uma população de
dois milhões de
microrganismos.
• Os microrganismos
são transportados
por pessoas,
embalagens, matérias
primas, utensílios e
equipamentos sujos,
animais e insetos.
No momento desse
transporte é que
acontece a
contaminação.
• Em temperaturas
acima de 74ºC, os
microrganismos
morrem. Entre 5ºC e
60ºC, os
microrganismos se
multiplicam. Abaixo
de 4ºC, eles têm sua
multiplicação
dificultada.
• Para evitar a
contaminação deve-se
controlar a
temperatura e o
tempo de exposição
dos alimentos,
higienizar o
ambiente e os
utensílios de
trabalho e manter
hábitos corretos de
higiene pessoal,
como tomar banho
todos os dias, lavar
os cabelos
regularmente, manter
as unhas limpas e
aparadas, escovar os
dentes após as
refeições e lavar
sempre as mãos.
• Deve-se lavar as
mãos várias vezes ao
dia, como: antes de
iniciar o trabalho,
toda vez que trocar
de atividade, antes
e após usar o
banheiro, após
fumar, antes de
vestir luvas, após
qualquer operação de
limpeza, ao tocar
boca, nariz e cabelo
e sempre que
estiverem sujas. A
forma correta de
lavar as mãos é
umedecê-las com
água, aplicar
sabonete, esfregar
pelo menos por um
minuto mãos,
antebraços, dedos e
unhas, enxaguar e
secar com papel
toalha de boa
qualidade (não
reciclado) ou ar
quente.
• Para trabalhar
corretamente com
alimentos, deve-se
também não utilizar
jóias e bijuterias
(pois elas podem ser
esconderijos de
microrganismos, além
do perigo de caírem
nos alimentos) e
cobrir bem eventuais
ferimentos
(dependendo da
gravidade dos
mesmos, deve-se até
evitar a manipulação
de alimentos).
• Se os alimentos
não apresentam boas
condições de cheiro
e aspecto, o melhor
é descartá-los.
Tente manipulá-los o
menos possível e, se
necessário,
separe-os por
semelhança (carne
com carne, frutas
com frutas, etc).
• Na hora de
estocar, nunca
guarde ou trabalhe
com alimento cru
perto de alimento
pronto para o
consumo; não guarde
alimentos
misturados, nem os
acomode no chão. No
freezer (-18ºC),
deixe os alimentos
com as etiquetas de
validade voltadas
para frente e siga
sempre o princípio:
o primeiro que vence
é o primeiro que
sai.
• Armário sujo e
desorganizado é
grande fonte de
contaminação. Evite
guardar roupas sujas
junto com limpas,
mantenha os sapatos
separados das roupas
e nunca guarde
alimentos no seu
armário. Roupas
sujas devem ser
imediatamente
levadas para lavar.
• Higienizar é
fundamental.
Higienização =
Limpeza +
Desinfecção. Limpeza
é a remoção de
sujidades e deve ser
feita com um
detergente.
Desinfecção é a
eliminação dos
microrganismos e
deve ser feita com
um desinfetante.
Antes de desinfetar
é preciso limpar.
São seis passos:
remover as
sujidades, aplicar o
detergente, enxaguar
com água potável,
aplicar o
desinfetante,
enxaguar com água
potável e deixar
secar naturalmente.
• O desinfetante
ideal deve ter amplo
espectro de ação,
ação rápida, efeito
residual na
superfície,
facilidade de uso,
solubilidade e
estabilidade. Deve
ser econômico,
compatível com as
superfícies e livre
de odor. Ele não
pode ser afetado por
fatores ambientais,
nem apresentar
toxicidade. A
escolha do
desinfetante e
método de
desinfecção depende
de fatores como
microrganismos
envolvidos, tipo de
superfície, nível de
contaminação, riscos
envolvidos, quem
manipula o produto.