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Canaviais avançam sobre as áreas de agricultura


Quem aprecia o feijão no almoço ou no jantar, por exemplo, pode ter de pagar mais caro por conta da redução no cultivo da lavoura

 

A pecuária é a atividade que mais perde espaço para a cana-de-açúcar em São Paulo. A constatação é baseada em números do Instituto de Economia Agrícola. Os canaviais também avançam sobre as áreas de agricultura. Quem aprecia o feijão no almoço ou no jantar, por exemplo, pode ter de pagar mais caro por conta da redução no cultivo da lavoura.

 

O feijão bem quentinho faz parte da mesa de milhões de brasileiros todos os dias. Como bom apreciador do prato Wilson Barreti, produtor, não fica sem. A cana-de-açúcar ocupa hoje 75 hectares da fazenda dele que em outros tempos eram destinados à cultura. E, qual será o motivo que o levou a fazer troca?

 

Os números mostram que a mudança não foi só nesta propriedade. A área com feijão no estado de São Paulo em 2001 era de 81900 hectares em 2006 caiu para 52600. Para o pesquisador científico do IEA, Sérgio Alves Torquato, não é possível dizer se a extensão que o feijão perdeu foi toda para a cana, mas ele afirma que o preço é quem está regulando o mercado.

 

Grande consumidor de milho, São Paulo também viu a área da lavoura encolher nos últimos anos. Em 2001 foram plantados quase 788 mil hectares. Em 2006 a área caiu 733 mil, 55 mil hectares a menos.

 

Para o secretário de Agricultura, João Sampaio, quem mais perde espaço é a pecuária. Nos últimos cinco anos, Abílio Egídio de Souza, produtor rural, viu o rebanho de gado de corte diminuir gradativamente. Sua propriedade fica perto de uma usina de açúcar e álcool, o que valorizou a proposta recebida pelo fazendeiro. Cerca de R$ 1,5 mil por ano para cada hectare cedido. Metade da fazenda foi arrendada. O dinheiro foi usado para comprar cinqüenta mil hectares em Mato Grosso.

 

Os dados do IEA confirmam essa mudança. Enquanto as áreas novas de cana aumentaram em 870 mil de 2001 para 2006, a de pastagem recuou em 608 mil ha. Para não ter uma queda muito grande na quantidade de carne produzida, São Paulo vai lançar um programa de incentivo ao confinamento de gado.

 

Se vai ser possível continuar produzindo carne para atender o mercado com as áreas de pastagens cada vez menores vamos saber em poucos anos. Agora, se os canaviais continuarem avançando sobre as terras de produção de grãos a pergunta é, como o seu Wilson e outros milhões de brasileiros vão garantir feijão na mesa?


 

 

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