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Pecuária de corte: qual é o potencial brasileiro? |
A discussão em relação à produção de etanol, ao
avanço da cana e seus impactos na produção de
alimentos, entre eles carne bovina, está ganhando
força. A Scot Consultoria informa que atendeu,
terça-feira (22/04) jornalistas, bancos e fundos de
investimento interessados em obter mais informações
a esse respeito. |
Essa associação vem sendo contestada, pois na carne
de ruminantes, bem como no seu leite e derivados,
tem ácidos linoleico conjugados (CLA, do inglês
“conjugated linoleic acid”) que tem de uma grande
gama de propriedades benéfica, incluindo atividades
antitumorais, anticarcinogênicas, além de
proporcionar a diminuição da gordura. Todas essas
propriedades têm sido observadas em animais modelos,
mas também pode ser aplicada aos seres humanos.
Os fatores que determinam a quantidade de CLA na
carne de ruminantes e derivados ainda não são
totalmente conhecidos. Dentre esses fatores
possivelmente estão raça, sexo, idade além da
alimentação. Por exemplo, tem sido demonstrado que
em animais alimentado a pasto (em paises de clima
frio) ou com ração rica em soja, girassol e outros
grãos ricos em ácido linoleico normal, há um aumento
considerável do CLA. Assim vários esforços têm sido
feitos para se aumentar à produção de CLA nos
bovinos do Brasil, que é o maior exportador desse
tipo de carne. Para comprovar esse aumento e assim
vender as carnes ricas em CLA, como carnes
especiais, nutracêuticas, há necessidade de se
desenvolver de métodos rápidos e eficazes de
determinação de CLA em carne de ruminantes, leite e
derivados. A técnica mais utilizada para análise dos
CLA é a cromatografia gasosa, que é um método
trabalhoso, que envolve várias etapas, como a
extração da gordura do alimento, a reação de
transesterificação, processo similar ao que se usa
para fazer biodiesel e a análise cromatográfica
propriamente dita, que pode demorar dezenas de
minutos por amostra. A reação de transesterificação
envolve também etapas de purificação dos produtos
para a análise cromatográfica e que pode demora
algumas horas. Como alternativa a cromatografia
estamos avaliando na Embrapa Instrumentação
Agropecuária o uso da ressonância magnética nuclear
de carbono-13, que pode fazer a análise diretamente
na gordura extraída, sem necessitar da reação de
transesterificação. Os estudos têm sido conduzidos
para avaliar tanto o método de RMN convencional de
análise do conteúdo de CLA, que pode levar até 12
horas quanto novos métodos de RMN, bem mais rápidos,
onde essas medidas podem ser realizadas em até 2
horas. Para esses estudos estão sendo utilizadas
amostras de gordura intramuscular bovina fornecida
por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, Rymer
Ramiz Tullio e Geraldo Maria da Cruz, que vêm
trabalhando no manejo de bovinos apara produção de
carne de alta qualidade, dentre as qualidades, com
alto conteúdo de CLA.
(*) Lucimara Aparecida Forato
e
Luiz Alberto Colnago são
pesquisadores da Embrapa Instrumentação Aropecuária
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